Quando percebemos as coisas boas

Não digo isso porque perdi alguém em minha vida, recentemente só tenho somado as amizades à minha volta. Digo isso porque roubaram meu cofre, o meu “porquinho” que havia ganhado de minha namorada. Me chame de ambicioso, ganancioso, ou materialista. Somente eu sei o quanto ele valia para mim, independente das notas de Dez e Cinco reais que eu sempre depositava nele, toda semana. Teve ainda mais quando notei sua ausência em minha ensebada estante (não só pelos livros antigos e pergaminhadospresentes, mas pelo óleo de peroba excessivo aplicado pela empregada que mal sabe o valor dos escritos), quando fui depositar uma moeda de vinte e cinco centavos. Simplesmente não estava ali, não estava em nenhum outro lugar onde um simples porquinho poderia estar.

O fato me deixou um pouco cabisbaixo por bom tempo. Mas agora fez-me perceber uma característica da humanidade: Só perceber as coisas no momento de sua morte, ou na sua falta. Fiquei pensando um bom tempo, tentando achar uma explicação para esse fato. A conclusão que cheguei? Puro apego. Não precisamos de nada que pensamos que perdemos, apenas nos apegamos a tais idéias, ou ao bem-estar que elas virtualmente nos proporcionam. Quando se vão, é o começo de nossa liberdade, mesmo que não demo-nos conta.

Quase ninguém percebe as flores plantadas no canteiro da rotatória, a não ser que elas sejam cortadas.

Por isso que a idéia do porquinho não estar mais ao meu lado quando for dormir já não me deixa tão atordoado, pois sei que na verdade me livrei de algo que não me era essencial. Se o fosse, não estaria a escrever esse texto agora.

Para quem seqüestrou o porquinho, desejo um ótimo fim-de-semana proporcionado pelo valor material que continha dentro (de preferência com algo não-fútil, tipo alimento ou cultura). Não vai ter mais do que isso com o que havia lá. Mas o valor sentimental somente eu pude experimentar, e esse ninguém me rouba mais. Quando acabarem-se as moedas, essa pessoa vai entender completamente o titulo desse texto.

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